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QUESTÃO DE CLASSE No momento de crise pela qual passam os movimentos de luta da classe trabalhadora no Brasil a palavra da vez em todo movimento político ligado de alguma forma aos trabalhadores é CRISE. Por quê? Entendemos que os instrumentos organizativos dos trabalhadores passam por uma profunda crise, agravada pelo maior refluxo das lutas proletárias em nível mundial e de intenso ataque de governos e patrões às conquistas da classe trabalhadora. Os operários, a massa dos trabalhadores que produz a riqueza e movimenta tudo têm se limitado apenas à contemplação, às sobras. Em meio à crise, cabe àqueles resignados lutadores apontar rumos diferentes daqueles tomados por quem está ocupando os espaços que deveriam ser da classe. A crise das entidades é parte da maior crise das organizações dos trabalhadores. Pode-se dizer que tal crise se manifesta nos campos de direção, político, ideológico e organizativo. Na história do capitalismo contemporâneo, o proletariado está absolutamente desprovido de instrumentos organizativos com caráter anticapitalista e revolucionário. Não que não existam grandes aparatos, máquinas partidárias e sindicais poderosas. Todavia, tais organizações em sua grande maioria não têm servido aos interesses de classe do proletariado e nem como centros de organização da luta contra o capital e seus governos. Pelo contrário, o que se nota em análises que necessitam apenas ser sinceras é que as organizações dos trabalhadores, hoje, apenas acompanham a lógica capitalista, inclusive auxiliando patrões, governos e a classe dominante a sair de suas crises financeiras, estruturais, de produção, dentre outras. A crise é de direção porque a ampla maioria destas não aposta na luta direta e na mobilização da classe para enfrentar o capital, e também porque a maioria dessas direções perdeu ou não assimilou posições socialistas, comunistas e/ou revolucionárias. Pior: conduzem as entidades no terreno pantanoso da colaboração de classes. Essas direções se tornaram verdadeiros entraves à luta da classe por suas reivindicações imediatas e históricas. A crise é político-ideológica porque as posições majoritárias nas entidades operam na lógica da sociedade do capital. A concepção de mundo burguesa é a predominante. Os valores socialistas não são difundidos, ou pelo contrário, são ridicularizados como “utópicos”. Outra mazela dessa natureza é o apelo quase irrefreável ao institucionalismo. Atuar nos espaços institucionais da burguesia virou estratégia fundamental. O parlamento, os conselhos tripartites (governos, patrões e trabalhadores), as demais instâncias do Estado burguês são considerados espaços essenciais da luta dos trabalhadores. A priorização da institucionalidade em detrimento da luta direta é característica da maioria das entidades. Na verdade, voltam-se contra a classe. A crise é organizativa porque não existe organização na base dos trabalhadores, nos locais de trabalho, moradia e estudo. Abandonou-se uma prática que chegou a ser ensaiada de organizar o proletariado em todos os seus âmbitos de trabalho e convivência. O quadro sindical brasileiro é verdadeiramente desolador, sendo fundamental repensa-lo e superar de fato o atual modelo dominante. As conseqüências da crise sindical são patentes: diminuto nível de sindicalização, poucas mobilizações e ampliação dos ataques da patronal e dos seus governos. É a partir destas considerações, que objetivam apenas resumir aspectos relativos ao momento pelo qual passam os instrumentos de organização e luta dos trabalhadores, é que devem ser retomadas bandeiras e propostas para o debate e o enfrentamento à crise. Os dirigentes e lideranças sindicais e populares devem se desvencilhar de ilusões como a tomada do governo ao lado dos burgueses, pois a participação de lideranças dos trabalhadores nesse espaço tem demonstrado, mundo afora, apenas a viabilização dos interesses do grande capital, das oligarquias e da manutenção do “status quo”. * Extraído do texto apresentado pelo Sindágua no Encontro da Conlutas-DF, em preparação ao Congresso Nacional dos Trabalhadores – CONAT. Abril de 2006, adaptado e inspirado de “A Conlutas não pode ser uma nova Cut. O que significa isso?”, autoria do Coletivo Pensamento Radical, março de 2006.
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